{"id":1900,"date":"2022-05-20T01:11:00","date_gmt":"2022-05-20T04:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tessa.eng.br\/?p=1900"},"modified":"2025-10-16T01:13:20","modified_gmt":"2025-10-16T04:13:20","slug":"os-desafios-do-setor-industrial-responsavel-por-um-terco-do-lixo-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tessa.eng.br\/es\/2022\/05\/20\/os-desafios-do-setor-industrial-responsavel-por-um-terco-do-lixo-mundial\/","title":{"rendered":"Os desafios do setor industrial respons\u00e1vel por um ter\u00e7o do lixo mundial"},"content":{"rendered":"<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"1900\" class=\"elementor elementor-1900\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8ebcc8a e-flex e-con-boxed wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no e-con e-parent\" data-id=\"8ebcc8a\" data-element_type=\"container\" data-settings=\"{&quot;background_background&quot;:&quot;classic&quot;}\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-bd3ef11 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"bd3ef11\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Os desafios do setor industrial respons\u00e1vel por um ter\u00e7o do lixo mundial<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2343b80 posts_custom e-flex e-con-boxed wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no e-con e-parent\" data-id=\"2343b80\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8a7ac20 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"8a7ac20\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\" src=\"https:\/\/tessa.eng.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Os-desafios-do-setor-industrial-responsavel-por-um-terco-do-lixo-mundial-1-2048x1365-1-1024x683.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-1901\" alt=\"Setor Industrial\" srcset=\"https:\/\/tessa.eng.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Os-desafios-do-setor-industrial-responsavel-por-um-terco-do-lixo-mundial-1-2048x1365-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/tessa.eng.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Os-desafios-do-setor-industrial-responsavel-por-um-terco-do-lixo-mundial-1-2048x1365-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/tessa.eng.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Os-desafios-do-setor-industrial-responsavel-por-um-terco-do-lixo-mundial-1-2048x1365-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/tessa.eng.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Os-desafios-do-setor-industrial-responsavel-por-um-terco-do-lixo-mundial-1-2048x1365-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/tessa.eng.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Os-desafios-do-setor-industrial-responsavel-por-um-terco-do-lixo-mundial-1-2048x1365-1.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5e3889e elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"5e3889e\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Todos os anos, n\u00f3s esmagamos, puxamos e retiramos cerca de 100 bilh\u00f5es de toneladas de mat\u00e9ria-prima do tecido do planeta. Essa quantidade equivale a destruir dois ter\u00e7os da massa do Monte Everest a cada 12 meses.<\/p><p>Cerca de metade da mat\u00e9ria-prima que extra\u00edmos vai para a ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o, que gera cerca de um ter\u00e7o de todos os res\u00edduos do planeta e pelo menos 40% das emiss\u00f5es mundiais de di\u00f3xido de carbono. Compare esse n\u00famero com os 2-3% causados pela avia\u00e7\u00e3o, que causa muito mais perturba\u00e7\u00e3o entre as pessoas.<\/p><p>Os \u201cres\u00edduos\u201d do consumo dessas mat\u00e9rias-primas s\u00e3o descartados em quantidades t\u00e3o imensas que a sua pegada ambiental ajudou a criar uma nova era, que recebeu o nome de \u201cAntropoceno\u201d.<\/p><p>Os arque\u00f3logos do futuro ir\u00e3o cavar por entre camadas de entulho para entender como vivemos.<\/p><p>Mas esse material que usamos e descartamos hoje em dia tamb\u00e9m cont\u00e9m um enorme tesouro que poder\u00e1 ser utilizado em nosso benef\u00edcio.<\/p><p>Calcula-se que uma tonelada de telefones celulares contenha 300 vezes mais ouro que uma tonelada de min\u00e9rio de ouro da melhor qualidade, al\u00e9m de quantidades significativas de prata, platina, pal\u00e1dio e metais raros \u2013 enquanto seguimos rasgando a terra com a minera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua para conseguir mais desses materiais.<\/p><p>As vastas quantidades de cobre dispon\u00edveis em bilh\u00f5es de cabos existentes em todo o mundo s\u00e3o uma fonte reutiliz\u00e1vel de metal com uma taxa de concentra\u00e7\u00e3o bem mais elevada do que os menos de 1% existentes em min\u00e9rios de qualidade superior.<\/p><p>Tudo isso gera uma quest\u00e3o \u00f3bvia: por que n\u00e3o reutilizamos o que j\u00e1 extra\u00edmos, em vez de escavar o planeta em busca de cada vez mais mat\u00e9rias-primas?<\/p><p>Esse pensamento vem estimulando um grupo cada vez maior de arquitetos e empresas de constru\u00e7\u00e3o a examinar como reutilizar a imensa quantidade de materiais ocultos nos ambientes que j\u00e1 constru\u00edmos, desde concreto e madeira at\u00e9 riquezas met\u00e1licas do lixo eletr\u00f4nico.<\/p><p>Em 2005, o escrit\u00f3rio de arquitetura Superuse, com sede em Roterd\u00e3, na Holanda, estabeleceu um marco inovador para uma nova vis\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o civil ao criar a Villa Welpeloo \u2013 a primeira casa contempor\u00e2nea do mundo feita principalmente com res\u00edduos de materiais de constru\u00e7\u00e3o.<\/p><p>A\u00e7o de m\u00e1quinas t\u00eaxteis antigas e madeira de bobinas de cabos industriais danificadas comp\u00f5em 60% dos materiais de segunda m\u00e3o empregados na constru\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Posteriormente, em 2013, o arquiteto brit\u00e2nico Duncan Baker-Brown ultrapassou a Superuse ao utilizar mais de 90% de materiais residuais para construir a Casa de Res\u00edduos de Brighton, na Inglaterra.<\/p><p>Baker-Brown combinou v\u00e1rios materiais diferentes, desde brim usado at\u00e9 estojos pl\u00e1sticos de DVD e escovas de dente descartadas, para compor o isolamento das paredes, al\u00e9m de c\u00e2maras de ar de pneus de bicicletas antigas para isolar o piso contra som e impactos.<\/p><p>Cerca de 10 toneladas de solo calc\u00e1rio destinado a aterros foram recolhidas para criar paredes de terra prensada e as placas de carpete usadas de um escrit\u00f3rio forneceram o revestimento externo.<\/p><p>\u201cA casa de res\u00edduos \u00e9 um projeto de pesquisa \u2018vivo\u2019 que faz com que as pessoas pensem na origem desses materiais e onde eles terminam\u201d, afirma Baker-Brown.<\/p><p>Ele construiu um modelo de uma nova forma de constru\u00e7\u00e3o com o m\u00ednimo de res\u00edduos no seu livro The Re-Use Atlas (\u201cAtlas do re\u00faso\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre), de 2017, que ensina seus princ\u00edpios para uma gera\u00e7\u00e3o crescente de arquitetos e construtores da faculdade de arquitetura da Universidade de Brighton.<\/p><p>Ele oferece uma redefini\u00e7\u00e3o simples e poderosa dos res\u00edduos como sendo \u201capenas coisas \u00fateis no lugar errado\u201d.<\/p><p>Embora essas ideias sejam inclu\u00eddas no setor de \u201ceconomia circular\u201d, Baker-Brown utiliza uma express\u00e3o com maior impacto: ele ressalta a necessidade de \u201cminerar o Antropoceno\u201d em vez de cavar novos materiais.<\/p><p>\u201cPrecisamos nos tornar \u2018mineradores urbanos\u2019 e retrabalhar [ou] reutilizar constru\u00e7\u00f5es, componentes e fontes de materiais j\u00e1 dispon\u00edveis\u201d, escreveu ele em uma chamada para a\u00e7\u00e3o mobilizadora publicada na revista do Instituto Real de Arquitetos Brit\u00e2nicos em 2019.<\/p><p>Baker-Brown est\u00e1 atualmente terminando um pavilh\u00e3o para a \u00d3pera de Glyndebourne em Sussex, no Reino Unido, que \u00e9 conhecida mundialmente.<\/p><p>O pavilh\u00e3o est\u00e1 sendo constru\u00eddo com produtos residuais que incluem cascas de ostras, rolhas de champanhe e tijolos mal cozidos rejeitados de uma f\u00e1brica de tijolos pr\u00f3xima.<\/p><p>Fundamentalmente, ele tamb\u00e9m est\u00e1 empregando esses materiais de forma que facilite sua desconstru\u00e7\u00e3o posterior \u2013 unindo os elementos com pregos em vez de cola, por exemplo \u2013 para criar o que ele chama de \u201cuma loja de materiais para o futuro\u201d.<\/p><p>A ideia de projetar constru\u00e7\u00f5es especificamente com o re\u00faso em mente ganhou o r\u00f3tulo \u201cdesign para desconstru\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p><p>Os Jogos Ol\u00edmpicos de 2012 mostraram essas ideias em a\u00e7\u00e3o com a constru\u00e7\u00e3o de acomoda\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias para 17 mil atletas em Londres.<\/p><p>Para isso, as constru\u00e7\u00f5es foram projetadas de forma que pudessem ser remodeladas posteriormente na forma de casas sustent\u00e1veis para habitantes locais, gra\u00e7as a elementos como paredes divis\u00f3rias nos andares, que podem ser movidas facilmente para formar novas configura\u00e7\u00f5es.<\/p><p>Mas as pessoas dispostas a minerar o Antropoceno precisam trabalhar principalmente com constru\u00e7\u00f5es existentes que n\u00e3o foram projetadas para desconstru\u00e7\u00e3o ou reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p><p>O escrit\u00f3rio holand\u00eas Maurer United Architects respondeu a esse desafio construindo 125 novas moradias sociais com mais de 90% de materiais reciclados de blocos de apartamentos antigos no empreendimento Superlocal Estate, na cidade de Kerkrade, na Holanda.<\/p><p>Trechos enormes de piso de concreto foram cortados e erguidos dos antigos edif\u00edcios e depositados para fornecer as estruturas das casas novas, enquanto o concreto restante foi triturado no local para re\u00faso, em uma abordagem que o fundador do escrit\u00f3rio, Mark Maurer, chama de \u201cdemoli\u00e7\u00e3o inteligente\u201d.<\/p><p>Uma chave para a minera\u00e7\u00e3o bem sucedida do Antropoceno para nossas constru\u00e7\u00f5es futuras \u00e9 elaborar maneiras de reutilizar os materiais existentes em uma infinidade de formas.<\/p><p>Folke K\u00f6bberling, professora de arte relacionada \u00e0 arquitetura da Universidade T\u00e9cnica de Braunschweig, na Alemanha, passou anos aperfei\u00e7oando formas de reutilizar materiais.<\/p><p>\u201cUsar material reciclado \u00e9 diferente de trabalhar com materiais novos\u201d, afirma ela. \u201cEsses materiais t\u00eam uma hist\u00f3ria. N\u00f3s buscamos os materiais e tentamos utiliz\u00e1-los como eles chegam, de forma muito flex\u00edvel.\u201d<\/p><p>Um exemplo \u00e9 o anfiteatro que ela e seu colega Martin Kaltwasser constru\u00edram em 2008 no Centro de Artes Wysing, perto de Cambridge, no Reino Unido.<\/p><p>Feito principalmente com 400 pallets de madeira recuperados de constru\u00e7\u00f5es locais, ele tamb\u00e9m inclui janelas de antigas estufas e pisos de madeira de teca reciclados de prateleiras descartadas pela Universidade de Cambridge.<\/p><p>Com custo total de apenas 5 mil euros (R$ 30,7 mil), a constru\u00e7\u00e3o foi idealizada para fornecer um espa\u00e7o diferenciado para as artes por dois anos, at\u00e9 ser desmontado para reutilizar seus materiais em outro lugar. Mas ele ainda est\u00e1 servindo muito bem.<\/p><p>K\u00f6bberling tamb\u00e9m descobriu que l\u00e3 de carneiro bruta descartada serve de excelente filtro de polui\u00e7\u00e3o e isolamento das paredes e transformou ainda milhares de garrafas e copos pl\u00e1sticos descartados na Maratona de Berlim em material para tetos de pontos de \u00f4nibus.<\/p><p>Conectar a fonte desses materiais \u00e0 demanda por componentes \u00e9 um elemento chave no esfor\u00e7o para reinventar os res\u00edduos como novo material de constru\u00e7\u00e3o.<\/p><p>\u201cPrecisamos encontrar uma forma de criar prosperidade e valor agregado, n\u00e3o pela produ\u00e7\u00e3o de novas mercadorias, mas com a manuten\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o das mercadorias existentes\u201d, afirma Michael Ghyoot, cofundador da empresa de design Rotor, com sede em Bruxelas, na B\u00e9lgica \u2013 que est\u00e1 concentrando esfor\u00e7os para facilitar o re\u00faso pelos profissionais da constru\u00e7\u00e3o.<\/p><p>A Rotor associou-se a outras empresas da Europa em um projeto financiado pela Uni\u00e3o Europeia para formar um diret\u00f3rio online que j\u00e1 reuniu pouco mais de 1 mil comerciantes especializados na recupera\u00e7\u00e3o de materiais e empresas correlatas (a pandemia prejudicou o objetivo original de reunir 1,5 mil participantes).<\/p><p>Ela tamb\u00e9m est\u00e1 criando um kit de ferramentas pr\u00e9-demoli\u00e7\u00e3o para ajudar as empresas a determinar o potencial de re\u00faso de materiais e produtos presentes em constru\u00e7\u00f5es previstas para demoli\u00e7\u00e3o ou revitaliza\u00e7\u00e3o.<\/p><p>A remodelagem da Torre de Montparnasse, com 59 andares, pelo escrit\u00f3rio de arquitetura Bellastock, com sede em Paris, na Fran\u00e7a, \u00e9 outro exemplo da minera\u00e7\u00e3o do Antropoceno em a\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Os arquitetos utilizaram concreto, vidro e a\u00e7o da fachada e do interior da constru\u00e7\u00e3o para ajudar a criar novos n\u00edveis e espa\u00e7os, sem recorrer a res\u00edduos de demoli\u00e7\u00e3o.<\/p><p>A torre transformada est\u00e1 programada para ficar pronta a tempo para receber visitantes nos Jogos Ol\u00edmpicos de Paris, em 2024.<\/p><p>Mathilde Billet, diretora t\u00e9cnica de re\u00faso da Bellastock e gerente de projetos da des\/reconstru\u00e7\u00e3o da Torre de Montparnasse, argumenta que comportamentos arraigados no setor da constru\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o barreiras pr\u00e1ticas, s\u00e3o o principal obst\u00e1culo para a implementa\u00e7\u00e3o generalizada do princ\u00edpio de re\u00faso.<\/p><p>\u201cO mais dif\u00edcil \u00e9 mudar nossa forma de pensar\u201d, afirma ela, acrescentando que o aumento da consci\u00eancia, treinamento, confer\u00eancias e simplesmente falar podem remover grande parte desse medo de mudan\u00e7a.<\/p><p>\u201cPrecisamos imaginar a cidade como um banco de materiais, prop\u00edcio para o re\u00faso. N\u00e3o existem mudan\u00e7as significativas. Custa apenas um pouco de vontade e agilidade\u201d, ela diz.<\/p><p>Michael Ghyoot tamb\u00e9m salienta que o processo de tornar os materiais existentes prontos para re\u00faso cria uma s\u00e9rie de novos empregos.<\/p><p>\u201cEssa atividade \u00e9 trabalhosa: [exige a\u00e7\u00f5es como] limpar as pontas de uma laje de m\u00e1rmore, remover cimento de telhas, substituir os fios de aparelhos el\u00e9tricos antigos \u2013 e documentar todos os materiais\u201d, segundo ele.<\/p><p>Para Mathilde Billet, os princ\u00edpios que sustentam a minera\u00e7\u00e3o do Antropoceno tamb\u00e9m se harmonizam com as pr\u00e1ticas antigas, seja o re\u00faso de pedras de constru\u00e7\u00f5es antigas, que foi algo comum por s\u00e9culos, ou a reconstru\u00e7\u00e3o constante de grandes constru\u00e7\u00f5es de argila, em pa\u00edses como o M\u00e1li.<\/p><p>\u201cO re\u00faso exige tecnologia antiga\u201d, afirma ela. \u201cEssa tecnologia existe em quase todos os lugares do planeta, mas est\u00e1 morrendo lentamente.\u201d A situa\u00e7\u00e3o alarmante em que nos encontramos significa que precisamos retornar para uma arquitetura mais frugal, segundo ela: \u201cuma arquitetura constru\u00edda com o material do local onde ela se encontra\u201d.<\/p><p>Longe de ser algo totalmente oposto \u00e0 economia pr\u00e1tica, uma an\u00e1lise de cinco pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia pelo Clube de Roma em 2020 concluiu que mudar para uma economia mais circular reduziria suas emiss\u00f5es de carbono em dois ter\u00e7os e criaria mais de um milh\u00e3o de novos empregos.<\/p><p>O que realmente faz pouco sentido econ\u00f4mico ou ambiental \u00e9 continuar a escavar bilh\u00f5es de toneladas de mat\u00e9rias-primas novas do planeta.<\/p><p>Fonte: https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-60076040?at_medium=RSS&amp;at_campaign=KARANGA<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e5bcba6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"e5bcba6\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Invista no futuro com a <a href=\"https:\/\/tessa.eng.br\/es\/contato\/\">Tessa<\/a>! <a href=\"https:\/\/tessa.eng.br\/es\/contato\/\">Fale com um de nossos consultores<\/a> e transforme seu projeto em um exemplo de sustentabilidade e efici\u00eancia.<\/p><p><em>Acompanhe o <a href=\"https:\/\/blog.tessa.eng.br\/\">Blog da Tessa<\/a> e fique por dentro de todas as not\u00edcias, tend\u00eancias, dicas e novidades do mercado.<\/em><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os desafios do setor industrial respons\u00e1vel por um ter\u00e7o do lixo mundial Todos os anos, n\u00f3s esmagamos, puxamos e retiramos cerca de 100 bilh\u00f5es de toneladas de mat\u00e9ria-prima do tecido do planeta. Essa quantidade equivale a destruir dois ter\u00e7os da massa do Monte Everest a cada 12 meses. Cerca de metade da mat\u00e9ria-prima que extra\u00edmos vai para a ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o, que gera cerca de um ter\u00e7o de todos os res\u00edduos do planeta e pelo menos 40% das emiss\u00f5es mundiais de di\u00f3xido de carbono. Compare esse n\u00famero com os 2-3% causados pela avia\u00e7\u00e3o, que causa muito mais perturba\u00e7\u00e3o entre as pessoas. Os \u201cres\u00edduos\u201d do consumo dessas mat\u00e9rias-primas s\u00e3o descartados em quantidades t\u00e3o imensas que a sua pegada ambiental ajudou a criar uma nova era, que recebeu o nome de \u201cAntropoceno\u201d. Os arque\u00f3logos do futuro ir\u00e3o cavar por entre camadas de entulho para entender como vivemos. Mas esse material que usamos e descartamos hoje em dia tamb\u00e9m cont\u00e9m um enorme tesouro que poder\u00e1 ser utilizado em nosso benef\u00edcio. Calcula-se que uma tonelada de telefones celulares contenha 300 vezes mais ouro que uma tonelada de min\u00e9rio de ouro da melhor qualidade, al\u00e9m de quantidades significativas de prata, platina, pal\u00e1dio e metais raros \u2013 enquanto seguimos rasgando a terra com a minera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua para conseguir mais desses materiais. As vastas quantidades de cobre dispon\u00edveis em bilh\u00f5es de cabos existentes em todo o mundo s\u00e3o uma fonte reutiliz\u00e1vel de metal com uma taxa de concentra\u00e7\u00e3o bem mais elevada do que os menos de 1% existentes em min\u00e9rios de qualidade superior. Tudo isso gera uma quest\u00e3o \u00f3bvia: por que n\u00e3o reutilizamos o que j\u00e1 extra\u00edmos, em vez de escavar o planeta em busca de cada vez mais mat\u00e9rias-primas? Esse pensamento vem estimulando um grupo cada vez maior de arquitetos e empresas de constru\u00e7\u00e3o a examinar como reutilizar a imensa quantidade de materiais ocultos nos ambientes que j\u00e1 constru\u00edmos, desde concreto e madeira at\u00e9 riquezas met\u00e1licas do lixo eletr\u00f4nico. Em 2005, o escrit\u00f3rio de arquitetura Superuse, com sede em Roterd\u00e3, na Holanda, estabeleceu um marco inovador para uma nova vis\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o civil ao criar a Villa Welpeloo \u2013 a primeira casa contempor\u00e2nea do mundo feita principalmente com res\u00edduos de materiais de constru\u00e7\u00e3o. A\u00e7o de m\u00e1quinas t\u00eaxteis antigas e madeira de bobinas de cabos industriais danificadas comp\u00f5em 60% dos materiais de segunda m\u00e3o empregados na constru\u00e7\u00e3o. Posteriormente, em 2013, o arquiteto brit\u00e2nico Duncan Baker-Brown ultrapassou a Superuse ao utilizar mais de 90% de materiais residuais para construir a Casa de Res\u00edduos de Brighton, na Inglaterra. Baker-Brown combinou v\u00e1rios materiais diferentes, desde brim usado at\u00e9 estojos pl\u00e1sticos de DVD e escovas de dente descartadas, para compor o isolamento das paredes, al\u00e9m de c\u00e2maras de ar de pneus de bicicletas antigas para isolar o piso contra som e impactos. Cerca de 10 toneladas de solo calc\u00e1rio destinado a aterros foram recolhidas para criar paredes de terra prensada e as placas de carpete usadas de um escrit\u00f3rio forneceram o revestimento externo. \u201cA casa de res\u00edduos \u00e9 um projeto de pesquisa \u2018vivo\u2019 que faz com que as pessoas pensem na origem desses materiais e onde eles terminam\u201d, afirma Baker-Brown. Ele construiu um modelo de uma nova forma de constru\u00e7\u00e3o com o m\u00ednimo de res\u00edduos no seu livro The Re-Use Atlas (\u201cAtlas do re\u00faso\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre), de 2017, que ensina seus princ\u00edpios para uma gera\u00e7\u00e3o crescente de arquitetos e construtores da faculdade de arquitetura da Universidade de Brighton. Ele oferece uma redefini\u00e7\u00e3o simples e poderosa dos res\u00edduos como sendo \u201capenas coisas \u00fateis no lugar errado\u201d. Embora essas ideias sejam inclu\u00eddas no setor de \u201ceconomia circular\u201d, Baker-Brown utiliza uma express\u00e3o com maior impacto: ele ressalta a necessidade de \u201cminerar o Antropoceno\u201d em vez de cavar novos materiais. \u201cPrecisamos nos tornar \u2018mineradores urbanos\u2019 e retrabalhar [ou] reutilizar constru\u00e7\u00f5es, componentes e fontes de materiais j\u00e1 dispon\u00edveis\u201d, escreveu ele em uma chamada para a\u00e7\u00e3o mobilizadora publicada na revista do Instituto Real de Arquitetos Brit\u00e2nicos em 2019. Baker-Brown est\u00e1 atualmente terminando um pavilh\u00e3o para a \u00d3pera de Glyndebourne em Sussex, no Reino Unido, que \u00e9 conhecida mundialmente. O pavilh\u00e3o est\u00e1 sendo constru\u00eddo com produtos residuais que incluem cascas de ostras, rolhas de champanhe e tijolos mal cozidos rejeitados de uma f\u00e1brica de tijolos pr\u00f3xima. Fundamentalmente, ele tamb\u00e9m est\u00e1 empregando esses materiais de forma que facilite sua desconstru\u00e7\u00e3o posterior \u2013 unindo os elementos com pregos em vez de cola, por exemplo \u2013 para criar o que ele chama de \u201cuma loja de materiais para o futuro\u201d. A ideia de projetar constru\u00e7\u00f5es especificamente com o re\u00faso em mente ganhou o r\u00f3tulo \u201cdesign para desconstru\u00e7\u00e3o\u201d. Os Jogos Ol\u00edmpicos de 2012 mostraram essas ideias em a\u00e7\u00e3o com a constru\u00e7\u00e3o de acomoda\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias para 17 mil atletas em Londres. Para isso, as constru\u00e7\u00f5es foram projetadas de forma que pudessem ser remodeladas posteriormente na forma de casas sustent\u00e1veis para habitantes locais, gra\u00e7as a elementos como paredes divis\u00f3rias nos andares, que podem ser movidas facilmente para formar novas configura\u00e7\u00f5es. Mas as pessoas dispostas a minerar o Antropoceno precisam trabalhar principalmente com constru\u00e7\u00f5es existentes que n\u00e3o foram projetadas para desconstru\u00e7\u00e3o ou reconstru\u00e7\u00e3o. O escrit\u00f3rio holand\u00eas Maurer United Architects respondeu a esse desafio construindo 125 novas moradias sociais com mais de 90% de materiais reciclados de blocos de apartamentos antigos no empreendimento Superlocal Estate, na cidade de Kerkrade, na Holanda. Trechos enormes de piso de concreto foram cortados e erguidos dos antigos edif\u00edcios e depositados para fornecer as estruturas das casas novas, enquanto o concreto restante foi triturado no local para re\u00faso, em uma abordagem que o fundador do escrit\u00f3rio, Mark Maurer, chama de \u201cdemoli\u00e7\u00e3o inteligente\u201d. 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Essa quantidade equivale a destruir dois ter\u00e7os da massa do Monte Everest a cada 12 meses. Cerca de metade da mat\u00e9ria-prima que extra\u00edmos vai para a ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o, que gera cerca de um ter\u00e7o de todos os res\u00edduos do planeta e pelo menos 40% das emiss\u00f5es mundiais de di\u00f3xido de carbono. Compare esse n\u00famero com os 2-3% causados pela avia\u00e7\u00e3o, que causa muito mais perturba\u00e7\u00e3o entre as pessoas. Os \u201cres\u00edduos\u201d do consumo dessas mat\u00e9rias-primas s\u00e3o descartados em quantidades t\u00e3o imensas que a sua pegada ambiental ajudou a criar uma nova era, que recebeu o nome de \u201cAntropoceno\u201d. Os arque\u00f3logos do futuro ir\u00e3o cavar por entre camadas de entulho para entender como vivemos. Mas esse material que usamos e descartamos hoje em dia tamb\u00e9m cont\u00e9m um enorme tesouro que poder\u00e1 ser utilizado em nosso benef\u00edcio. Calcula-se que uma tonelada de telefones celulares contenha 300 vezes mais ouro que uma tonelada de min\u00e9rio de ouro da melhor qualidade, al\u00e9m de quantidades significativas de prata, platina, pal\u00e1dio e metais raros \u2013 enquanto seguimos rasgando a terra com a minera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua para conseguir mais desses materiais. As vastas quantidades de cobre dispon\u00edveis em bilh\u00f5es de cabos existentes em todo o mundo s\u00e3o uma fonte reutiliz\u00e1vel de metal com uma taxa de concentra\u00e7\u00e3o bem mais elevada do que os menos de 1% existentes em min\u00e9rios de qualidade superior. Tudo isso gera uma quest\u00e3o \u00f3bvia: por que n\u00e3o reutilizamos o que j\u00e1 extra\u00edmos, em vez de escavar o planeta em busca de cada vez mais mat\u00e9rias-primas? Esse pensamento vem estimulando um grupo cada vez maior de arquitetos e empresas de constru\u00e7\u00e3o a examinar como reutilizar a imensa quantidade de materiais ocultos nos ambientes que j\u00e1 constru\u00edmos, desde concreto e madeira at\u00e9 riquezas met\u00e1licas do lixo eletr\u00f4nico. Em 2005, o escrit\u00f3rio de arquitetura Superuse, com sede em Roterd\u00e3, na Holanda, estabeleceu um marco inovador para uma nova vis\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o civil ao criar a Villa Welpeloo \u2013 a primeira casa contempor\u00e2nea do mundo feita principalmente com res\u00edduos de materiais de constru\u00e7\u00e3o. A\u00e7o de m\u00e1quinas t\u00eaxteis antigas e madeira de bobinas de cabos industriais danificadas comp\u00f5em 60% dos materiais de segunda m\u00e3o empregados na constru\u00e7\u00e3o. Posteriormente, em 2013, o arquiteto brit\u00e2nico Duncan Baker-Brown ultrapassou a Superuse ao utilizar mais de 90% de materiais residuais para construir a Casa de Res\u00edduos de Brighton, na Inglaterra. Baker-Brown combinou v\u00e1rios materiais diferentes, desde brim usado at\u00e9 estojos pl\u00e1sticos de DVD e escovas de dente descartadas, para compor o isolamento das paredes, al\u00e9m de c\u00e2maras de ar de pneus de bicicletas antigas para isolar o piso contra som e impactos. Cerca de 10 toneladas de solo calc\u00e1rio destinado a aterros foram recolhidas para criar paredes de terra prensada e as placas de carpete usadas de um escrit\u00f3rio forneceram o revestimento externo. \u201cA casa de res\u00edduos \u00e9 um projeto de pesquisa \u2018vivo\u2019 que faz com que as pessoas pensem na origem desses materiais e onde eles terminam\u201d, afirma Baker-Brown. 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Embora essas ideias sejam inclu\u00eddas no setor de \u201ceconomia circular\u201d, Baker-Brown utiliza uma express\u00e3o com maior impacto: ele ressalta a necessidade de \u201cminerar o Antropoceno\u201d em vez de cavar novos materiais. \u201cPrecisamos nos tornar \u2018mineradores urbanos\u2019 e retrabalhar [ou] reutilizar constru\u00e7\u00f5es, componentes e fontes de materiais j\u00e1 dispon\u00edveis\u201d, escreveu ele em uma chamada para a\u00e7\u00e3o mobilizadora publicada na revista do Instituto Real de Arquitetos Brit\u00e2nicos em 2019. Baker-Brown est\u00e1 atualmente terminando um pavilh\u00e3o para a \u00d3pera de Glyndebourne em Sussex, no Reino Unido, que \u00e9 conhecida mundialmente. O pavilh\u00e3o est\u00e1 sendo constru\u00eddo com produtos residuais que incluem cascas de ostras, rolhas de champanhe e tijolos mal cozidos rejeitados de uma f\u00e1brica de tijolos pr\u00f3xima. 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Mas as pessoas dispostas a minerar o Antropoceno precisam trabalhar principalmente com constru\u00e7\u00f5es existentes que n\u00e3o foram projetadas para desconstru\u00e7\u00e3o ou reconstru\u00e7\u00e3o. O escrit\u00f3rio holand\u00eas Maurer United Architects respondeu a esse desafio construindo 125 novas moradias sociais com mais de 90% de materiais reciclados de blocos de apartamentos antigos no empreendimento Superlocal Estate, na cidade de Kerkrade, na Holanda. Trechos enormes de piso de concreto foram cortados e erguidos dos antigos edif\u00edcios e depositados para fornecer as estruturas das casas novas, enquanto o concreto restante foi triturado no local para re\u00faso, em uma abordagem que o fundador do escrit\u00f3rio, Mark Maurer, chama de \u201cdemoli\u00e7\u00e3o inteligente\u201d. 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Tessa - Perfil Especial e Estrutura para Telhados de Qualidade","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/tessa.eng.br\/es\/2022\/05\/20\/os-desafios-do-setor-industrial-responsavel-por-um-terco-do-lixo-mundial\/","og_locale":"es_ES","og_type":"article","og_title":"Os desafios do setor industrial respons\u00e1vel por um ter\u00e7o do lixo mundial - Tessa - Perfil Especial e Estrutura para Telhados de Qualidade","og_description":"Os desafios do setor industrial respons\u00e1vel por um ter\u00e7o do lixo mundial Todos os anos, n\u00f3s esmagamos, puxamos e retiramos cerca de 100 bilh\u00f5es de toneladas de mat\u00e9ria-prima do tecido do planeta. Essa quantidade equivale a destruir dois ter\u00e7os da massa do Monte Everest a cada 12 meses. Cerca de metade da mat\u00e9ria-prima que extra\u00edmos vai para a ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o, que gera cerca de um ter\u00e7o de todos os res\u00edduos do planeta e pelo menos 40% das emiss\u00f5es mundiais de di\u00f3xido de carbono. Compare esse n\u00famero com os 2-3% causados pela avia\u00e7\u00e3o, que causa muito mais perturba\u00e7\u00e3o entre as pessoas. Os \u201cres\u00edduos\u201d do consumo dessas mat\u00e9rias-primas s\u00e3o descartados em quantidades t\u00e3o imensas que a sua pegada ambiental ajudou a criar uma nova era, que recebeu o nome de \u201cAntropoceno\u201d. Os arque\u00f3logos do futuro ir\u00e3o cavar por entre camadas de entulho para entender como vivemos. Mas esse material que usamos e descartamos hoje em dia tamb\u00e9m cont\u00e9m um enorme tesouro que poder\u00e1 ser utilizado em nosso benef\u00edcio. Calcula-se que uma tonelada de telefones celulares contenha 300 vezes mais ouro que uma tonelada de min\u00e9rio de ouro da melhor qualidade, al\u00e9m de quantidades significativas de prata, platina, pal\u00e1dio e metais raros \u2013 enquanto seguimos rasgando a terra com a minera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua para conseguir mais desses materiais. As vastas quantidades de cobre dispon\u00edveis em bilh\u00f5es de cabos existentes em todo o mundo s\u00e3o uma fonte reutiliz\u00e1vel de metal com uma taxa de concentra\u00e7\u00e3o bem mais elevada do que os menos de 1% existentes em min\u00e9rios de qualidade superior. Tudo isso gera uma quest\u00e3o \u00f3bvia: por que n\u00e3o reutilizamos o que j\u00e1 extra\u00edmos, em vez de escavar o planeta em busca de cada vez mais mat\u00e9rias-primas? Esse pensamento vem estimulando um grupo cada vez maior de arquitetos e empresas de constru\u00e7\u00e3o a examinar como reutilizar a imensa quantidade de materiais ocultos nos ambientes que j\u00e1 constru\u00edmos, desde concreto e madeira at\u00e9 riquezas met\u00e1licas do lixo eletr\u00f4nico. Em 2005, o escrit\u00f3rio de arquitetura Superuse, com sede em Roterd\u00e3, na Holanda, estabeleceu um marco inovador para uma nova vis\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o civil ao criar a Villa Welpeloo \u2013 a primeira casa contempor\u00e2nea do mundo feita principalmente com res\u00edduos de materiais de constru\u00e7\u00e3o. A\u00e7o de m\u00e1quinas t\u00eaxteis antigas e madeira de bobinas de cabos industriais danificadas comp\u00f5em 60% dos materiais de segunda m\u00e3o empregados na constru\u00e7\u00e3o. Posteriormente, em 2013, o arquiteto brit\u00e2nico Duncan Baker-Brown ultrapassou a Superuse ao utilizar mais de 90% de materiais residuais para construir a Casa de Res\u00edduos de Brighton, na Inglaterra. Baker-Brown combinou v\u00e1rios materiais diferentes, desde brim usado at\u00e9 estojos pl\u00e1sticos de DVD e escovas de dente descartadas, para compor o isolamento das paredes, al\u00e9m de c\u00e2maras de ar de pneus de bicicletas antigas para isolar o piso contra som e impactos. Cerca de 10 toneladas de solo calc\u00e1rio destinado a aterros foram recolhidas para criar paredes de terra prensada e as placas de carpete usadas de um escrit\u00f3rio forneceram o revestimento externo. \u201cA casa de res\u00edduos \u00e9 um projeto de pesquisa \u2018vivo\u2019 que faz com que as pessoas pensem na origem desses materiais e onde eles terminam\u201d, afirma Baker-Brown. Ele construiu um modelo de uma nova forma de constru\u00e7\u00e3o com o m\u00ednimo de res\u00edduos no seu livro The Re-Use Atlas (\u201cAtlas do re\u00faso\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre), de 2017, que ensina seus princ\u00edpios para uma gera\u00e7\u00e3o crescente de arquitetos e construtores da faculdade de arquitetura da Universidade de Brighton. Ele oferece uma redefini\u00e7\u00e3o simples e poderosa dos res\u00edduos como sendo \u201capenas coisas \u00fateis no lugar errado\u201d. Embora essas ideias sejam inclu\u00eddas no setor de \u201ceconomia circular\u201d, Baker-Brown utiliza uma express\u00e3o com maior impacto: ele ressalta a necessidade de \u201cminerar o Antropoceno\u201d em vez de cavar novos materiais. \u201cPrecisamos nos tornar \u2018mineradores urbanos\u2019 e retrabalhar [ou] reutilizar constru\u00e7\u00f5es, componentes e fontes de materiais j\u00e1 dispon\u00edveis\u201d, escreveu ele em uma chamada para a\u00e7\u00e3o mobilizadora publicada na revista do Instituto Real de Arquitetos Brit\u00e2nicos em 2019. Baker-Brown est\u00e1 atualmente terminando um pavilh\u00e3o para a \u00d3pera de Glyndebourne em Sussex, no Reino Unido, que \u00e9 conhecida mundialmente. O pavilh\u00e3o est\u00e1 sendo constru\u00eddo com produtos residuais que incluem cascas de ostras, rolhas de champanhe e tijolos mal cozidos rejeitados de uma f\u00e1brica de tijolos pr\u00f3xima. Fundamentalmente, ele tamb\u00e9m est\u00e1 empregando esses materiais de forma que facilite sua desconstru\u00e7\u00e3o posterior \u2013 unindo os elementos com pregos em vez de cola, por exemplo \u2013 para criar o que ele chama de \u201cuma loja de materiais para o futuro\u201d. A ideia de projetar constru\u00e7\u00f5es especificamente com o re\u00faso em mente ganhou o r\u00f3tulo \u201cdesign para desconstru\u00e7\u00e3o\u201d. Os Jogos Ol\u00edmpicos de 2012 mostraram essas ideias em a\u00e7\u00e3o com a constru\u00e7\u00e3o de acomoda\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias para 17 mil atletas em Londres. Para isso, as constru\u00e7\u00f5es foram projetadas de forma que pudessem ser remodeladas posteriormente na forma de casas sustent\u00e1veis para habitantes locais, gra\u00e7as a elementos como paredes divis\u00f3rias nos andares, que podem ser movidas facilmente para formar novas configura\u00e7\u00f5es. Mas as pessoas dispostas a minerar o Antropoceno precisam trabalhar principalmente com constru\u00e7\u00f5es existentes que n\u00e3o foram projetadas para desconstru\u00e7\u00e3o ou reconstru\u00e7\u00e3o. O escrit\u00f3rio holand\u00eas Maurer United Architects respondeu a esse desafio construindo 125 novas moradias sociais com mais de 90% de materiais reciclados de blocos de apartamentos antigos no empreendimento Superlocal Estate, na cidade de Kerkrade, na Holanda. Trechos enormes de piso de concreto foram cortados e erguidos dos antigos edif\u00edcios e depositados para fornecer as estruturas das casas novas, enquanto o concreto restante foi triturado no local para re\u00faso, em uma abordagem que o fundador do escrit\u00f3rio, Mark Maurer, chama de \u201cdemoli\u00e7\u00e3o inteligente\u201d. Uma chave para a minera\u00e7\u00e3o bem sucedida do Antropoceno para nossas constru\u00e7\u00f5es futuras \u00e9 elaborar maneiras de reutilizar os materiais existentes em uma infinidade de formas. Folke K\u00f6bberling, professora de arte relacionada \u00e0 arquitetura da Universidade T\u00e9cnica de Braunschweig, na Alemanha, passou anos aperfei\u00e7oando formas de reutilizar materiais. \u201cUsar material reciclado \u00e9 diferente de trabalhar com materiais novos\u201d, afirma ela. \u201cEsses materiais t\u00eam uma hist\u00f3ria. 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