Obras em estruturas metálicas vão ganhando mercado - Tessa / AO4
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Obras em estruturas metálicas vão ganhando mercado

Obras em estruturas metálicas vão ganhando mercado

Entrevista com Alexandre Schmidt, presidente da Associação Brasileira da Construção Metálica (Abcem)

 

Eleito presidente da Abcem em setembro de 2020, Alexandre Schmidt revela que o setor de estruturas metálicas se saiu bem em ano de pandemia. A boa performance se deve à capacidade do aço de se adequar a construções de todo tipo. Em entrevista ao portal AECweb, ele fala do crescimento vertiginoso do sistema Light Steel Frame (LSF) e suas vantagens. E, ainda, explica o funcionamento do Programa de Qualificação das Telhas de Aço, coordenado pela Abcem e ABNT.

 

AECweb – Como foi o desempenho da indústria de construção metálica no último ano?

 

 Alexandre Schmidt – O ano foi excelente para as empresas voltadas para obras dos setores de energia e papel e celulose. Algumas empresas associadas registraram crescimento de até 40% em 2020. Já outros segmentos sofreram muito, com o cancelamento ou postergação de obras previstas de shopping centers. Porém, como a construção metálica é versátil e atende diversos setores, adequando-se àqueles com maior demanda, apesar da pandemia, ela se saiu bem.

 

AECweb – O forte aumento nos preços do aço, em todo o mundo, é entrave para o crescimento das empresas do setor?

 

Schmidt – Essa elevação de preço preocupa e já impactou a estrutura metálica, que é 100% matéria-prima aço. A construção em concreto também sofre, pois os preços dos vergalhões, entre outros insumos da construção, subiram muito. Isso fez com que todos os projetos fossem, pelo menos, reavaliados ou feitas novas cotações, e os negócios repensados. Observamos alguns casos em que a opção foi pelo mix de colunas em concreto e a parte horizontal em aço. Houve, também, redução da oferta de aço, o que compromete os prazos de entrega.

 

AECweb – O sistema Light Steel Frame (LSF) vem ganhando mercado no Brasil?

 

Schmidt – O Light Steel Frame está há 30 anos no Brasil, mas passou a crescer exponencialmente na última década. Ainda não existem muitas pesquisas que dimensionem e/ou tragam métricas do mercado brasileiro, mas indústrias que integram a cadeia produtiva projetam que o sistema cresça de duas a três vezes mais do que o PIB da construção civil nacional. O crescimento do LSF vem sendo alavancado pela mudança cultural do consumidor e do investidor, norteada por obras mais sustentáveis, rápidas e com melhor desempenho e durabilidade.

 

AECweb – O preço do sistema é competitivo?

 

Schmidt – O sistema Light Steel Frame é muito competitivo quando considerados critérios como as vantagens de fidelidade orçamentária, leveza, velocidade, baixa geração de resíduos, economia de água, desempenho térmico e acústico, economia de energia e conforto. Assim, uma obra muito leve gera economia na fundação; a velocidade traz o retorno do investimento muito mais rápido e reduz custos com a mobilização da obra (equipamentos e mão de obra); a baixa geração de resíduos e o pouco uso de água eliminam desperdícios; o desempenho térmico superior possibilita a economia de energia com a redução e/ou eliminação do ar-condicionado. Estas são apenas algumas vantagens econômicas, muitas delas obtidas no pós-obra. Sistemas tradicionais, como a alvenaria, para alcançarem os parâmetros de produtividade e desempenho citados, custariam muito mais caro, lembrando que LSF cumpre ou excede os parâmetros da norma brasileira de desempenho NBR 15.575.

 

AECweb – Qual é a configuração do sistema casa pronta em Light Steel Frame?

 

Schmidt – Uma obra em Light Steel Frame nasce do projeto arquitetônico, projeto executivo, planejamento, fundação, compra dos componentes, compatibilização, montagem e acabamentos. No mercado, é possível encontrar construtoras que oferecem serviços completos desde o projeto executivo até os acabamentos (conceito chave na mão) até aquelas que apenas executam a estrutura, instalações e vedações internas e externas, ficando sob a responsabilidade do cliente a fundação e os acabamentos. Atualmente, é possível encontrar e negociar diversos tipos de configurações e montagens – no local, painelizada ou modular –, de acordo com a conveniência do cliente final. O mais relevante é selecionar construtoras com acervo técnico e lastro financeiro para realizar um empreendimento com qualidade e velocidade.

 

AECweb – O que prevê o Programa de Qualificação de Telhas de Aço conduzido pela Abcem e ABNT?

 

Schmidt – O programa foi criado com o objetivo de incentivar a elaboração de normas técnicas e promover a qualidade dos produtos e desenvolvimento do mercado da construção metálica. Nele, é avaliada a qualidade das telhas de aço de seção ondulada e trapezoidal em conformidade com as normas ABNT NBR 14513 e ABNT NBR 14514, respectivamente. Os fabricantes têm, também, a opção de submeter à análise as características termoacústicas, conforme a norma ABNT NBR 16373. O programa é reconhecido e acreditado pela Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro.

 

AECweb – Quais os benefícios da certificação oferecida pelo programa?

 

Schmidt – Para os fabricantes de telhas de aço, as vantagens da certificação abrangem a garantia da conformidade do produto com as normas técnicas; a melhoria do processo produtivo e organizacional, através das avaliações dos requisitos da qualidade; conscientização dos colaboradores na melhoria dos processos; e, ainda, aumento da produtividade e diferenciação de produtos no mercado em relação à qualidade. A sociedade também se beneficia ao adquirir produtos em conformidade com normas técnicas atestadas por organismo acreditado pelo Inmetro. Concorrência leal entre fabricantes e proteção ao meio ambiente são, também, resultantes da certificação.

 

AECweb – Qual o percentual de participação das telhas metálicas no mercado de telhas?

 

Schmidt – O mercado de coberturas metálicas no Brasil corresponde, em média, a 25% a 30%, analisando o mercado em sua totalidade e considerando os segmentos residenciais, comerciais e industriais.

 

AECweb – A arquitetura brasileira já se apropriou do aço em seus projetos, inclusive de residências?

 

Schmidt – Sim, com especial destaque para as obras industriais e comerciais. A estrutura metálica é uma ótima solução para grandes vãos e muito mais esbelta do que outros processos construtivos. Também se destaca quando são necessárias obras mais rápidas. O aço, material totalmente reciclável, pontua mais do que outros sistemas construtivos quando o projeto prevê a obtenção da certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) de impacto ambiental. Inúmeros arquitetos trabalham muito bem com o aço, a exemplo do arquiteto Siegbert Zanettini e outros, que criam soluções interessantes em seus projetos. No segmento de obras residenciais, o aço está em consumo crescente, embora não seja tão expressivo. Temos visto residências em construção metálica com cada vez mais frequência, em especial nas obras de maior porte, com projetos mais arrojados, vãos maiores e linhas mais modernas. E, também, com o uso do Light Steel Frame.

 

AECweb – Quais os principais argumentos em favor do aço como material sustentável?

 

Schmidt – O aço é 100% reciclável, com a sucata é possível fazer novos produtos. No processo de produção do aço são gerados coprodutos, pois esses resíduos servem como matéria-prima para a produção de cimento e indústria cerâmica, entre outros. A durabilidade do aço também coopera com o meio ambiente. Recebendo revestimentos metálicos, pinturas, galvanização ou a combinação desses dois, a durabilidade do aço aumenta. O metal fica ’blindado’ contra os efeitos das intempéries naturais e sua vida útil é prolongada. Outros fatores que comprovam que o aço é a melhor opção sustentável na construção civil estão em sua produção, pois o minério de ferro existe em abundância no planeta.

 

Fonte: https://www.aecweb.com.br/ent/cont/n/obras-em-estruturas-metalicas-vao-ganhando-mercado_79_22476